quinta-feira, 17 de junho de 2010

Um racista escreve a lei contra o racismo

É assim que dá pra entender a aprovação do Estatuto da Igualdade Racial. A proposta final é de Demóstenes Torres (DEM-GO). Aquele que num debate sobre as cotas, em março passado, disse que o estupro de escravas negras por seus donos aconteceu “de forma muito mais consensual”.

A proposta de Torres acabou com as cotas na educação, serviço público, empresas e partidos políticos. Programas de saúde pública voltados para a população negra também ficaram de fora.

Pior que isso, foi ver como reagiram alguns dos defensores históricos da aprovação do Estatuto. É o caso do senador Paulo Paim (PT-RS). Embora não seja ideal, é o possível, disse ele.

O também petista Edson Santos, ex-ministro da Igualdade Racial, disse que a proposta reflete "o melhor entendimento possível em torno do assunto". O “melhor entendimento possível” só pode ser aquele baseado na democracia racial.

Democracia racial é a ideologia defendida pelos brancos da elite brasileira. Sua idéia básica é a de que os negros são desfavorecidos porque são pobres, não por causa da cor de sua pele.

Ou seja, os poderosos até admitem que existe injustiça econômica, jamais injustiça racial. Só pode ser porque a luta contra o racismo teria um efeito explosivo num país com mais da metade da população formada por negros. Praticamente todos vivendo em condições piores que os brancos.

Demóstenes Torres é do partido dos antigos coronéis escravocratas. Conquistou mais uma vitória para manter forte o racismo brasileiro.

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