segunda-feira, 11 de junho de 2012

Crise capitalista: os que sempre choram por último

A Espanha é a bola da vez. Acaba de receber ajuda de 100 bilhões para os bancos que fizeram a festa por lá. “Capital do desemprego revela a face real da economia espanhola” é o título de reportagem de Andrei Netto, publicada no jornal “O Estado de S.Paulo” em 10/06. Ela traz alguns números surpreendentes:

Entre 1996 e 2007, a economia espanhola cresceria em média de 3,8% ao ano, mais do que a da Alemanha e acima da média europeia, de 2,4%. Nessa época, o país se orgulhava de ter reunido nos últimos 15 anos a maior capacidade de crescimento da Europa e da alta vertiginosa da renda per capita, que atingira € 26,5 mil.

A situação era tão boa que o socialista Zapatero, primeiro-ministro na época, declarou:

Superamos a média europeia de renda per capita e superamos a Itália, coisa que deprime muito o primeiro-ministro (Silvio) Berlusconi. Nosso objetivo é superar a renda per capita da França em três ou quatro anos. Meu amigo Sarkozy não quer admiti-lo, mas é assim.

Estas palavras foram ditas em setembro de 2008, dias após a quebra do Lehman Brothers. Mostram o quanto o ato de governar para o capital pode ser enganador. Mesmo para quem governa com o carinho e a dedicação mais desavergonhada.

Zapatero riu antes acreditando que ria por último. Mal teve tempo de chorar, logo foi substituído por um conservador que já começa a derramar algumas lágrimas. Seria bom outros governantes do planeta prestarem atenção. Muitos deles acreditam estar acima das crises.

De qualquer modo, chorar mesmo, sobra sempre para os explorados.

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