quinta-feira, 21 de junho de 2012

Rio+20 e o ciclo menstrual das borboletas

Até meados dos anos 90, grande parte da esquerda acusava injustamente os ambientalistas de discutir o “ciclo menstrual das borboletas azuis”. Ou seja, coisas abstratas, inúteis, “perfumaria”, de “classe média”...

As coisas começaram a mudar com a Eco-92. O grande encontro indicava algo importante. Era a conscientização chegando. Não apenas dos setores de esquerda. Ao contrário, eram os capitalistas e seus governos preocupados com o futuro de seus lucros.

Estavam de olho em um novo filão econômico: a indústria sustentável. Atualmente, conhecida como “economia verde”. Mas muita coisa mudou nesses 20 anos. O capitalismo se espalhou pelo chamado Terceiro Mundo.

A China, rural e atrasada, virou a fábrica do mundo, por exemplo. Já não quer, nem consegue, frear seu desenvolvimento. O mesmo vale para os outros “emergentes”. Todos presos a modelos sujos. Já as potências do “Primeiro Mundo” estão atoladas em suas crises econômicas.

Além disso, há os efeitos de 30 anos de neoliberalismo. A Rio+20 reúne governos. Mas a economia mundial foi dominada por grupos econômicos com orçamentos maiores do que os de muitos países. Algumas ONGs também não ficam atrás.

Uma informação talvez ajude e entender o que tudo isso significa. Ela é do jornalista Sérgio Leo e está publicada no Valor de ontem: “80% das patentes mundiais estão nas mãos de seis países”. Ou melhor, de seis governos. E estes não passam de agências de defesa das grandes corporações mundiais.

Os “países em desenvolvimento”, diz o texto:

Cobram dos países ricos dinheiro e cessão de tecnologia (leia-se: abrir mão de patentes e direito de propriedade intelectual) para ter “meios de implementação” das futuras metas.

Ou seja, não vai rolar. Mais realista debater “o ciclo menstrual das borboletas azuis”...

Leia também: Rio+20, nada. UFC!

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