quarta-feira, 13 de junho de 2012

Família, dinheiro, amizade e namoro

Relações familiares dificilmente são uma maravilha. Nelson Rodrigues que o diga. Karl Marx abordou o tema no Manifesto Comunista desse modo:  “a burguesia arrancou à relação familiar o seu comovente véu sentimental e reduziu-a a uma pura relação de dinheiro”.

Difícil discordar. Não faltam exemplos de ligações sanguíneas sangradas por conflitos envolvendo dinheiro. Mesmo entre as famílias mais pobres, em que direitos envolvendo gordas heranças inexistem.

Essa situação chegou ao mundo das altas finanças de outra forma. É o que diz “Mutação econômica e da ‘força de trabalho’ do capital financeiro”, do Núcleo Interdisciplinar de Estudos da Globalização Transnacional e da Cultura do Capitalismo (NIEG). Segundo o artigo:

Até os anos 1970 – num forte reflexo das oligarquias, que existem antes mesmo do capitalismo – famílias ricas e influentes que dominavam a economia de determinando lugar, arranjam entre si casamentos, de forma a fortalecerem seu poder e dar continuidade à manutenção do poder dentre poucas famílias.

Desde então, as coisas mudaram, diz o texto. Em relação aos novos executivos:

Já não importa mais se o jovem é o primogênito de uma longa linhagem de grandes nomes da economia, ou graduou-se nas melhores universidades dos Estados Unidos, o que vai estabelecer quem fica são as capacidades instintivas e destemidas de visualizar uma boa oportunidade, e arriscar, investir, não deixar passar uma excelente oportunidade para acumular dinheiro.

É como se a organização baseada em pesados clãs fosse substituída por uma espécie de seleção natural. Jovens predadores no comando de corporações disputam uma feroz guerra na selva dos negócios. O resultado tem sido desastroso, como prova a crise sem fim, iniciada em 2008.

Por outro lado, tudo isso pode ajudar a buscar outras formas de sociabilidade. Nem o opressor peso da família tradicional, nem a cruel competição por dinheiro e prestígio. Quem sabe, relações baseadas em escolhas tão conscientes como afetivas. Algo como namoro e amizade.

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