sexta-feira, 22 de junho de 2012

Paraguai: ameaça de golpe no paraíso neoliberal

O presidente do Paraguai, Fernando Lugo, está sob ameaça de um golpe. Um processo de impeachment está em andamento no senado do país. A acusação inclui vínculos com movimentos sociais e falta de ação contra a ocupação de terras. Ou seja, acusações que deveriam ser entendidas como elogios.

Lugo foi eleito em 2008, com apoio da esquerda paraguaia e dos movimentos sociais. Desde então, vem enfrentando inúmeros ataques por parte da direita. O maior problema é que o Congresso domina a política paraguaia. E a direita domina o Congresso. É a 24ª tentativa de tirá-lo da presidência.

O atual pretexto para o golpe foi um confronto entre sem-terras e polícia que terminou com 15 mortos. Tal como em muitos de seus vizinhos, a concentração fundiária é uma das raízes dos problemas sociais do país. Em 2008, 2% dos proprietários possuíam 78% das terras. A maioria deles formada por grandes criadores de gado e plantadores de soja. Entre os quais, muitos brasileiros.

Ao mesmo tempo, o Paraguai é considerado um paraíso neoliberal. É o que diz César Felício na reportagem “Paraguai, paraíso do Estado mínimo”, publicada no Valor de hoje. O texto diz, por exemplo, que a carga tributária é a mais baixa da América do Sul. Mas 69% dos paraguaios não têm qualquer mecanismo de proteção social, incluindo previdência social.

Fernando Lugo jamais colocou toda essa situação em risco. Nunca tentou colocar em prática medidas realmente radicais. Mesmo assim, é alvo da direita. É mais um exemplo de que na política institucional já não há espaço nem para mudanças superficiais.

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