domingo, 8 de novembro de 2015

A ameaça de uma enorme derrota histórica

“Crise joga 3 milhões de famílias da Classe C de volta à base da pirâmide”, diz matéria de Márcia De Chiara e Anna Carolina Papp, publicada no Estadão em 31/10.

O texto cita estudo da Tendências Consultoria Integrada, mostrando que, entre 2006 e 2012, 3,3 milhões de famílias subiram das “classes D/E” para a “classe C”. Mas o mesmo levantamento estima que, até 2017, 3,1 milhões de famílias devem voltar à faixa de renda de onde saíram.

Justificariam essa projeção, previsões de recuo da economia, queda na massa real de rendimentos e desemprego galopante.

A reportagem traz uma observação importante de Maurício de Almeida Prado, da consultoria “Plano CDE”. Devido à “ascensão” por que passaram, diz ele, essas famílias formariam “um novo tipo de classe baixa: mais conectada, escolarizada e de certa forma até mais preparada”.

A questão é: preparada para quê?

Seria bom lembrar que a conquista de melhores condições de vida tende a ser muito menos gratificante que a decepção causada por sua perda.

A última vez que frustrações como essas se transformaram em revolta social foi em junho de 2013. E naquele momento, forças de direita conseguiram canalizar boa parte do forte ressentimento da população.

O trabalho dos conservadores foi bastante facilitado pela esquerda que está nos governos. Diante das manifestações, sua única resposta vem sendo mais repressão. Portanto, destes setores já não há mais nada a esperar.

Mas a maior parte da oposição de esquerda continua distante das ruas, priorizando a disputa de eleições, direções sindicais e outros aparatos burocratizados. Ou começamos a mudar isso radicalmente, ou sofreremos uma enorme derrota histórica.

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