sexta-feira, 13 de novembro de 2015

Enquanto isso, a lama da Samarco

O rompimento da barragem da mineradora Samarco, pertencente à Vale, vai contaminar a região litorânea do Espírito Santo, espalhando-se por uns 3 mil km2 no litoral norte e uns 7 mil km2 no litoral ao sul. Serão atingidas três Unidades de Conservação, em uma área de 200 mil km no mar.

Já são pelo menos seis mortos, 19 desaparecidos e 637 desabrigados. Os resíduos de minério ameaçam o abastecimento de água de 500 mil pessoas.

Enquanto isso, a Samarco teve um lucro líquido de R$ 2,8 bilhões em 2014. Mas no mesmo período pagou apenas R$ 54 milhões pela exploração em território mineiro, dos quais somente R$ 20 milhões ficaram em Mariana. A cidade, portanto, recebeu 0,72% do lucro líquido da mineradora.

Enquanto isso, o Ibama informou que deve multar a Samarco em R$ 250 milhões. Ou seja, menos de 10% do lucro líquido anual da empresa.

Enquanto isso, o projeto de lei nº 2946/2015 tramita na Assembleia Legislativa de Minas visando simplificar o licenciamento ambiental. Foi apresentado pelo Governador Pimentel e apoiado pela Federação de Indústrias de Minas Gerais e Sindicato da Indústria Mineral do Estado de Minas Gerais.

Enquanto isso, reportagem do jornal Valor, de 24/11/2014, dizia “Mineradoras querem rediscutir código. Doações do setor ajudaram a eleger 180 parlamentares”. A matéria referia-se ao Código da Mineração em debate no Congresso Nacional desde aquela data.

Enquanto isso, uma página foi criada no Facebook, dizendo: “Esse movimento visa dar apoio a SAMARCO, uma empresa que gera milhares de empregos, hoje ela conta com o nosso apoio. SOMOS TODOS SAMARCO”. O resto é lama...

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