quarta-feira, 11 de novembro de 2015

Campos de concentração para animais

Em 06/11, o EcoDebate publicou o artigo “Abolicionismo animal”, de José Eustáquio Diniz Alves. O texto defende o fim do que o escritor M. Coetzee chamou de “campos de concentração”, referindo-se aos cativeiros que criamos para outros animais. Os dados surpreendem:

Para alimentar uma população crescente de seres humanos mais de 60 bilhões de animais terrestres são mortos todos os anos e a escravidão animal é responsável pelo confinamento de 19 bilhões de galinhas, 1,4 bilhão de bovinos, 1 bilhão de porcos, 1 bilhão de ovelhas e um número considerável de cabritos, búfalos, coelhos, capivaras, javalis, avestruzes, gansos, perus, patos, etc., segundo dados da FAO.

Além disso, diz o autor:

...são necessários 1.500 litros para produzir um quilo de milho, 15 mil para um quilo de carne de vaca. Isto é, quando alguém come carne se apropria de recursos que, compartilhados, seriam suficientes para cinco, oito, dez pessoas. Comer carne é estabelecer uma desigualdade brutal: sou eu quem pode engolir os recursos de que vocês precisam. A carne é um estandarte e é uma mensagem: que este planeta só pode ser usado assim se bilhões de pessoas se resignarem a usá-lo muito menos. Se todos quiserem usá-lo igualmente não pode funcionar: a exclusão é condição necessária — e nunca suficiente.

É por isso que o movimento pelo abolicionismo animal defende, entre outras medidas, o “aumento das áreas anecúmenas”. Anecúmeno é o conceito grego para áreas desfavoráveis à ocupação humana.

Por trás de toda essa escravidão animal está uma ordem social injusta que também escraviza nossa espécie e ainda pode transformar a Terra em mais um planeta anecúmeno.


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