terça-feira, 17 de novembro de 2015

Terrorismo e causalidade seletiva

Na internete, a polêmica: quem merece mais o apoio popular, as vítimas da Samarco em Minas Gerais ou os atingidos pelo terrorismo em Paris? Um lado acusa o outro de praticar “solidariedade seletiva”. Na verdade, “lamentação seletiva”, uma vez que a grande maioria dos envolvidos não fazem mais do que postar textos, imagens e comentários em ambientes virtuais.

Toda essa disposição para se envolver nesse tipo de debate estéril é alimentada pela grande mídia. Não faltam matérias e reportagens recheadas de casos comoventes. Gente que perdeu parentes, amigos, casa, patrimônio, sustento, esperanças. Muito triste, é verdade.

Mais triste, no entanto, é a ausência de qualquer aprofundamento sobre as causas das tragédias. Faltam apurações sobre os enormes interesses econômicos da mineração no Brasil e do controle das áreas petrolíferas no Oriente Médio. Sobram closes em rostos e perguntas na medida para fazer o entrevistado chorar.

Ao mesmo tempo, cria um clima de revolta que tem como alvo apenas os políticos, ignorando aqueles que os controlam. As verdadeiras causas das tragédias são criteriosamente selecionadas para esconderem os interesses poderosos que estão por trás delas.

Há terrorismos e terrorismos

Noam Chomsky é um respeitado linguista. Mas não precisa utilizar teorias complexas para mostrar que o conceito de “terrorismo” não é utilizado da mesma maneira em todas as situações pela grande imprensa e governos em geral.

As ações que partem de organizações islâmicas, por exemplo, são sempre terroristas. Já as mortes de centenas de civis inocentes causadas pelos drones estadunidenses são "danos colaterais". Enquanto isso, a França executou 20 bombardeios na Síria, matando mais de cem civis, incluindo crianças.

Leia também: O Estado Islâmico e o Ebola

2 comentários:

  1. É isso mesmo. Concordo com a "lamentação seletiva". Colocaria até como banalização da solidariedade. Palavra tão cara que a mídia propaga vulgarmente e os seus objetos difundem. E pior, se digladiam sobre qual tragédia é mais importante.
    Realmente, não se apontam os grandes responsáveis por estas e muitas outras tragédias. Certeira acusação de responsabilidade este seu texto.

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