terça-feira, 3 de novembro de 2015

Eduardo Cunha e Asterix na Suíça

Autor de “A Suíça lava mais branco”, o sociólogo suíço Jean Ziegler lembra que sua terra-natal não tem recursos naturais ou indústria forte. Mesmo assim, é um dos países com maior renda per capita do mundo. “Isso só acontece porque a matéria-prima da Suíça é o dinheiro”, afirma.

Segundo ele, 27% da riqueza global está na Suíça. Grande parte dela vem “de fraudadores internacionais, dinheiro do crime ou dinheiro do sangue, que é como eu chamo o dinheiro das ditaduras”, conclui Ziegler.

Helvécia é como os antigos romanos chamavam a Suíça. Na aventura em quadrinhos “Asterix entre os helvécios”, o valente gaulês vai parar nesse país famoso por seus relógios de cuco e bancos com cofres sempre abarrotados.

Mas há também um costume estranho. São banquetes, em que os participantes formam filas em frente a um enorme caldeirão de queijo derretido. Cada comensal leva uma espada com um pedaço de pão na ponta que deve ser mergulhado no queijo e prontamente degustado.

Conforme vão comendo, os participantes ficam cada vez mais lambuzados. No final, uma grossa camada de queijo cobre a fila de uma ponta a outra, de modo que não é possível reconhecer mais ninguém.

É mais ou menos assim que funciona esse grande paraíso fiscal bem no meio da Europa. Como na fila do queijo derretido, correntistas poderosos aproveitam-se das confusas maçarocas que são as contas suíças para esconder suas fortunas.

Recentemente, um deputado brasileiro ganhou fama como um desses trambiqueiros. Mas é peixe pequeno, comparado aos tubarões do capital internacional. E são estes últimos que colocam no poder roedores como Eduardo Cunha.

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