quinta-feira, 26 de novembro de 2015

Das prisões ocidentais para o Estado Islâmico

Jovens, entre os subúrbios e o radicalismo” é o nome da entrevista feita com o sociólogo iraniano Farhad Khosrokhavar. Publicada pelo “Il Manifesto”, em 22/11, o depoimento procura esclarecer como o Estado Islâmico recruta seus soldados.

O entrevistado lembra que se completaram 10 anos da grande revolta de jovens nos subúrbios parisienses. Em outubro de 2005, durante 19 noites consecutivas, jovens pobres da periferia de Paris se revoltaram contra a violência policial. Queimaram quase 9 mil carros e entraram em confrontos com a polícia francesa.

Desde então, nada foi feito para melhorar a situação deste setor da população, formado principalmente por descendentes de árabes e muçulmanos. Ao contrário, muitos deles continuam a ser jogados nas prisões. E, como diz Khosrokhavar:

... é justamente na prisão que muitas vezes eles entram em contato com autodenominados pregadores que os aproximam de uma versão integralista da religião muçulmana, viagens de iniciação, primeiro ao Afeganistão, Paquistão ou ao Iêmen e, nos últimos anos, especialmente para a Síria e, por fim, uma vontade de ruptura com a sociedade em que cresceram, que se realiza em nome da Guerra Santa. Por exemplo, esse é o perfil dos autores, particularmente jovens, dos massacres do dia 13 de novembro, assim como de todos os atentados jihadistas cometidos na França nos últimos 15 anos. Esse primeiro grupo de jovens provenientes das cité periféricas ou dos bairros populares, da França assim como da Bélgica, já constituem uma espécie de exército de reserva jihadista na Europa.

Do PCC ao Estado Islâmico, o crime e o terrorismo agradecem pelo encarceramento racista da pobreza promovido por estados laicos.

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