terça-feira, 10 de novembro de 2015

Por uma arqueologia da Revolução Russa

Daqui a dois anos, completam-se os 100 anos da Revolução Russa. Passado quase um século, a história da primeira revolução assumidamente socialista está soterrada por mitos, distorções, mentiras, incompreensões.

Estas camadas confusas foram se acumulando não apenas por obra da burguesia. Setores da esquerda socialista adotam e até criam muitos dessas imprecisões. Muitas vezes, alimentam uma visão autoritária, truculenta e grosseira da revolução liderada pelos bolcheviques, que acaba sendo muito conveniente para os defensores da ordem.

É por isso que precisamos cada vez mais de uma arqueologia da Revolução Russa. Um esforço para redescobrir suas grandes conquistas, posteriormente sepultadas pela contrarrevolução stalinista. É o que as pílulas diárias vêm tentando fazer. Abaixo, algumas delas:

Os bolcheviques queriam o fim da família para libertar as mulheres mostra um pouco do peso do feminismo nos primeiros anos da revolução. Algo que 1917: operárias russas atropelam bolcheviques também evidencia.

Socialistas e muçulmanos: unidade necessária destaca o importante papel dos seguidores do Islã no processo revolucionário. Uma aliança tornada possível pelo respeito dos bolcheviques à religiosidade popular, como descrito em Lênin em defesa da liberdade religiosa.

O indispensável combate ao racismo é destaque de Bolcheviques contra o racismo. Um avanço que, infelizmente, foi destruído pelo antissemitismo stalinista.

Nada disso quer dizer que a Revolução Russa tenha dado conta de todos os aspectos da luta contra a exploração e a opressão. Longe disso. Mas foi um processo rico em experiências libertárias e combativas. Muito diferente da caricatura a que foi reduzido por décadas de calúnias e distorções cometidas pelo conservadorismo, tanto de direita, como de esquerda.

Novembro de 2015

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