quarta-feira, 4 de novembro de 2015

Um relato de dignidade contra a burocratização da esquerda

Licença para citar alguns trechos de uma carta de James Cannon a Theodore Draper, escrita em maio de 1959. Nela, o grande militante socialista estadunidense apresenta algumas das razões de sua ruptura com o Partido Comunista de seu país:

Eu tinha gradualmente me estabelecido numa posição segura como representante do partido, com um escritório e uma equipe de assessores, uma posição que eu poderia facilmente manter – desde que eu me mantivesse dentro de limites e regras definidos, sobre os quais eu sabia tudo, e conduzisse a mim mesmo com a facilidade e a habilidade que havia se tornado quase uma segunda natureza para mim nas longas e persuasivas lutas fracionais.
(...)
Eu vi a mim mesmo pela primeira vez como outra pessoa, um revolucionário que estava a caminho de se tornar um burocrata. A imagem foi terrível e eu me afastei dela com nojo.

Eu nunca enganei a mim mesmo sequer por um momento sobre as consequências mais prováveis da minha decisão de apoiar Trotsky no verão de 1928. Eu sabia que eu iria perder minha cabeça e também minha poltrona de couro, mas eu pensei: para o inferno — homens melhores do que eu arriscaram suas cabeças e perderam suas poltronas de couro pela verdade e pela justiça.

Sem mais, PT Saudações...

Leita também: Os partidos como máquinas burocráticas despolitizadas

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