terça-feira, 5 de julho de 2016

A tolice de nossas ideias dominantes

“Este livro é uma história das ideias dominantes do Brasil moderno e de sua institucionalização”, diz Jessé Souza, em "A Tolice da Inteligência Brasileira" (2015).

Dois dos principais responsáveis por essas ideias que o autor considera nocivas seriam Gilberto Freyre e Sérgio Buarque de Hollanda, monstros sagrados da sociologia nacional.

Em “Casagrande & Senzala”, Freyre tornou a mestiçagem um valor positivo, devidamente aproveitado por Vargas para transformá-lo em redutor “de todas as diferenças, especialmente as de classe social e prestígio”.

Em seguida, Buarque apresentaria os conceitos de “homem cordial” e “patrimonialismo”, em que relações pessoais são utilizadas para transformar o Estado em uma máquina controlada por uma elite corrupta.

Em oposição, o mercado seria o lugar da concorrência limpa e justa. Como se pudesse haver corrompidos sem corruptores.

Segundo o autor, uma das teses centrais dessa “sociologia culturalista” afirma que nas sociedades periféricas a corrupção é estrutural. Como se esta não existisse nas sociedades centrais.

Outra ideia favorita dessa forma de pensar é a de que “as classes altas e médias são moral e cognitivamente superiores às classes populares”.

Enquanto isso, os efeitos desastrosos de séculos de escravidão e enorme desigualdade social são ignorados. E os conflitos de classe ficam ocultos pela ideia de que nosso maior problema é a corrupção e de que ela é sempre estatal.

Segundo Souza, somente assim é possível explicar “a tolice” dos que compram a “ideia absurda” de que é preciso “mais mercado no país do mercado mais injusto e concentrado do mundo”.

Talvez, ajude a explicar também porque os tolos não voltaram às ruas contra a corrupção.

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