segunda-feira, 10 de outubro de 2016

A esquerda mundial e a persistência do reformismo

Tão inegável como a crise por que passa o capitalismo, são os graves problemas que atingem setores importantes da esquerda mundial.

É o caso do Podemos espanhol, do Syriza grego e do PT brasileiro. Ainda que em ritmos, momentos e com problemas bem diferentes, todas essas forças políticas passam por crises agudas.

Uma importante exceção seria o trabalhismo inglês, que parece viver um ressurgimento de sua militância mais radical, liderada por James Corbyn. 

Mas mesmo o que ocorre no partido trabalhista serve para mostrar a resistência do reformismo como horizonte para as lutas dos setores explorados e oprimidos da sociedade.

Para tentar entender melhor essa situação, talvez fosse pertinente retomar a leitura de “Capitalismo e Social Democracia”, publicado por Adam Przeworski em 1985. A começar pela seguinte passagem:

... participar [ou não] das instituições políticas burguesas, mais especificamente, das instituições eleitorais. Esta questão continua a dividir os movimentos da classe trabalhadora, desde a cisão na Primeira Internacional, em 1870, passando pela Segunda Internacional até os atuais debates sobre a participação em governos burgueses. No entanto, precisamente porque os trabalhadores são explorados na condição de produtores e precisamente porque as eleições estão dentro dos limites instrumentais necessários à satisfação de seus interesses relevantes no curto prazo, todo partido se vê na situação de ou entrar nas disputas eleitorais os perder sua base de apoio.

Ou seja, o dilema reforma x revolução tem uma longa história naquela que é a esquerda mais antiga do mundo. Portanto, seria muito importante aprender com essa experiência. É o que pretendem abordar as próximas pílulas, com ajuda da obra de Przeworski.

Leia também: O fracasso do reformismo não implica o fim da luta por reformas

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