segunda-feira, 17 de outubro de 2016

A loja de brinquedos de Eleanor e Karl Marx

Em 1895, Eleanor, filha de Karl Marx, escreveu que das muitas fábulas contadas por seu pai, a mais “maravilhosa e deliciosa” era a de "Hans Röckle":

Ela durou meses, era uma série inteira de histórias... O próprio Hans Röckle era um mágico tipo Hoffinann que tinha uma loja de brinquedos e que estava sempre "duro". Sua loja estava cheia das coisas mais maravilhosas - homens e mulheres de madeiras, gigantes e anões, reis e rainhas, servos e mestres, animais e pássaros tão numerosos quanto os que entraram na Arca de Noé, mesas e cadeiras, carruagens, caixas de todos os tipos e tamanhos. Embora ele fosse um mágico, Hans nunca conseguia cumprir suas obrigações seja para com o demônio seja para com o açougueiro, e era portanto - muito contra a sua vontade - constantemente obrigado a vender seus brinquedos para o diabo. Esses brinquedos passavam, pois, por maravilhosas aventuras, terminando, sempre, por retornar à loja de Hans Röckle.

No livro “O casaco de Marx”, Peter Stallybrass lembra que antes de Eleanor nascer, seus pais endividados:

...tiveram sua casa invadida por oficiais de justiça para levar tudo, incluindo "os melhores brinquedos que pertenciam às filhas", arrancando lágrimas de Jenny e Laura. Mas nas estórias, tal como nas visitas à loja de penhores, para resgatar objetos anteriormente penhorados, o momento da perda é desfeito, os brinquedos voltam.

“Foi a esse desfazer sistemático da perda que Marx dedicou sua vida inteira”, diz Stallybrass. Não apenas a perda dele próprio, mas a “de toda a classe operária, separada dos meios de produção”.

Aos revolucionários também é imprescindível a sensibilidade lúdica.

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