domingo, 2 de outubro de 2016

Sobre os truques dos ilusionistas do poder

O grande segredo dos mágicos consiste em desviar a atenção de seu público. Enquanto uma das mãos atrai os olhares dos presentes, a outra executa o truque. Muitos políticos profissionais e a grande mídia fazem o mesmo com enorme maestria.

Por exemplo, o governo Temer e os jornais não param de falar sobre as reformas trabalhista e previdenciária. Todos os olhares se voltam preocupados para essas questões.

Já a proposta de congelamento dos gastos públicos recebe menos atenção. Afinal, quem seria contra cortar verbas públicas diante de “tanta roubalheira”?

O problema é que cálculos do Conselho Nacional de Secretarias Municipais de Saúde preveem perdas de R$ 654 bilhões para o SUS, caso a proposta seja aprovada. O mesmo deve acontecer em outras áreas sociais, como Previdência e Educação.

Aí, será tarde demais quando descobrirmos que aquela bola que sumiu no ar, na verdade está no bolso do mágico. Ou melhor, no bolso dos que pretendem fortalecer ainda mais as empresas privadas de saúde, previdência e educação.

Outro truque: Pesquisa Nacional por Amostra de Domicílios do IBGE mostra que 1,3 milhões de jovens entre 15 e 17 anos estão fora da escola. "Deveriam estar no Ensino Médio", gritam os ilusionistas. Decreta-se uma Medida Provisória para resolver o problema.

Só faltou dizer que 64% daqueles jovens já estavam fora da escola antes de ingressarem no ensino médio. Palmas para o mágico! E também para os que defendem uma escola pública ainda mais pobre para os pobres.

Mas ilusionismo eficiente, mesmo, é aquele que, a cada dois anos, nos leva a apertar a tecla “Confirma” e voltar para casa.

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