sexta-feira, 21 de outubro de 2016

O reformismo a caminho da barbárie

Hora de encerrar as pílulas sobre o livro “Capitalismo e Social Democracia”, de Adam Przeworski. Mas voltaremos à obra. Há outros elementos importantes que ainda merecem atenção. Por enquanto, fiquemos com algumas de suas afirmações sobre o socialismo:

Se o socialismo consiste em pleno emprego, igualdade e eficiência, então os socialdemocratas suecos estão razoavelmente perto de alcançá-lo.

O socialismo não é um movimento pelo pleno emprego, mas pela abolição da escravidão salarial. Não é um movimento pela eficiência, mas pela racionalidade coletiva. Não é um movimento pela igualdade, mas pela liberdade.

A abolição do capitalismo é uma necessidade não porque assim determinam as leis da História, ou porque, de alguma forma, o socialismo é superior a ele (...), mas apenas porque nos impede de nos tornar tudo o que poderíamos ser se fôssemos livres.

A democracia socialista não é algo que possa ser encontrada nos parlamentos, fábricas ou famílias: não é simplesmente uma democratização das instituições capitalistas. Liberdade significa desinstitucionalização...

O socialismo será possível apenas quando tornar-se mais uma vez um movimento social e não apenas algo de natureza econômica (...). A luta para melhorar o capitalismo é mais essencial que nunca. Mas não devemos confundir esta luta com a busca pelo socialismo.

As afirmações acima são de 1985. Desde então, ruíram as experiências ditas “socialistas” e a ofensiva neoliberal que se seguiu trouxe destruição ambiental, guerras frequentes e cruéis, democracias blindadas e fascismos revigorados.

Portanto, a luta por reformas continua a ser necessária. Limitar-se ao reformismo, no entanto, significa não apenas afastar-se do socialismo, mas fortalecer o caminho que leva à barbárie. 

Leia também: O fracasso do reformismo pelo voto

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