domingo, 23 de outubro de 2016

China Miéville contra as mariposas-libadoras

China Miéville é autor do livro "Estação Perdido", recém-lançado no Brasil.  Ele é marxista, formado em Antropologia Social, mestre e doutor em Relações Internacionais e membro do Partido Socialista Inglês.

Seu gênero literário é a ficção científica. Das mais loucas, mas também preocupada com questões sociais, raciais, ideológicas. O romance tem uma profusão de seres das mais diversas espécies. Eles vivem amontoados em cidades sujas, enfumaçadas, atravancadas e dominadas por minorias ricas, poderosas e cruéis.

Isaac Dan der Grimnebulin, o personagem principal, é um cientista humano meio louco. Sua namorada é uma artista plástica que tem um besouro no lugar da cabeça. O racismo entre as espécies não permite que eles assumam sua relação em público.

Uma entidade chamada Tecelão manipula as dimensões da realidade como se fossem fios de um tear. Mas o faz de modo caótico e delirante.

As grandes vilãs são as “mariposas-libadoras”. Elas sugam as mentes de suas vítimas, transformando-as em corpos inertes, que só defecam e babam.

Imunes a seus ataques apenas as máquinas, que não têm consciência, e o Tecelão, para quem sonhos e consciência são uma coisa só.

Para derrotá-las, Grimnebulin constrói um engenho de crise. Uma complexa combinação do cérebro cibernético das máquinas, da consciência onírica do Tecelão e da mistura de consciente e inconsciente da mente humana. Essa combinação pretende aproveitar o que há de mais abundante na realidade social para derrotar as borboletas vampiras: as crises.

Qualquer semelhança com nossa realidade, rasgada por contradições, repleta de crises e à mercê de uma ideologia dominante que mutila nossas capacidades mentais, talvez seja mera coincidência. Talvez...

Leia também: O animal que calcula

Nenhum comentário:

Postar um comentário