31 de outubro de 2017

Policiais contra o fascismo

“Mortes violentas crescem e atingem maior número já registrado no país”, anunciam as manchetes dos últimos dias. Sete pessoas assassinadas por hora, dizem os dados sobre 2016, recém-divulgados pelo Fórum Brasileiro de Segurança Pública.

Entre as muitas cifras terríveis, a disparada no número de vítimas da violência policial: 4.224 casos, registrando alta de 27% em relação a 2015.

“É uma guerra!”, dizem quase todos. Nada disso.

Em setembro passado, no Rio de Janeiro, foi divulgado um manifesto. Abaixo, alguns trechos dele:

Não estamos em guerra! Qualquer tentativa midiático-policial de construir tal discurso como política pública tem por objetivo legitimar as políticas racistas de massacre, promovidas pelo Estado contra a população negra, pobre e periférica de nosso país. Tal política belicista acaba também por vitimar policiais, que operam na base das corporações do sistema de segurança, recrutados nos mesmos estratos sociais daqueles que são construídos como os seus “inimigos”.

(...)

Policiais devem ser construídos como trabalhadores! O reconhecimento do direito de greve, de livre associação, de livre filiação partidária, bem como o fim das prisões administrativas, são marcos nesta luta contra a condição de subcidadania à qual muitos policiais estão submetidos. Acreditamos que este é o único caminho pelo qual policiais possam vir a se reconhecer na luta dos demais trabalhadores, sendo então reconhecidos por toda classe trabalhadora como irmãos na luta antifascismo.

O documento também defende a desmilitarização da segurança pública e o fim às politicas de proibição das drogas.

Trata-se do Manifesto do Movimento Policiais Antifascismo. Sim, eles existem. E diante do histórico conservadorismo da sociedade brasileira, merecem apoio irrestrito.

3 comentários:

  1. Arre! Sim, só podemos saudar essa contraofensiva do agente ofensivo do estado.

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  2. Consciência de classe não é somente 'consciência' individual [ideia que circula mais facilmente por aí...], é uma construção coletiva, 'de' classe. É um dado subjetivo, mas não está restrito à esfero do indivíduo e - sim! - é tão importante quanto os fenômenos objetivos. Há uma dialética difícil nessa categoria (Lukács que o diga...). É preciso percepção fina e profunda da história para se compreender esse processo que você relata [e será negado por muitos dos nossos...] - processo que, por sinal, faz um baita sentido e anima a luta... Valeu, Sergio!

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