quinta-feira, 10 de março de 2011

Laerte: feminino e divino

“É o maior cartunista brasileiro”. Palavras de Angeli sobre os 40 anos de carreira de Laerte.

É a mais pura verdade. Não é só o seu humor. É sua capacidade de mostrar o absurdo e os ridículos do poder e das convenções sociais. São os piratas navegando pelo Tietê fazendo miséria. Os palhaços mudos, que invadem a sede da TFP para avacalhar fascistas nojentos. E, claro, seu traço espetacular, detalhista, limpo, preciso, com gestos e ritmo perfeitos.

Agora, ele dá outra chacoalhada geral. Levanta novamente o tapete para revelar mais preconceitos que ficaram escondidos. Resolveu vestir-se de mulher. Por que? Porque gosta, claro. Mas, não só isso. É mais uma de suas explorações sobre o comportamento humano. Vejam o que ele diz em uma entrevista para o IG Moda, de outubro passado:
O que eu quero é romper essa fronteira de feminino e masculino, e isso não está só no vestir. Está na postura, nos modos. Me interessa esse movimento. As mulheres são educadas para ter uma contenção corporal, isso é cultural. Elas são condenadas a um tipo de vida. Me interessa romper isso. Hoje estou assim, mas não há uma meta definida. Não estou interessado em virar mulher, é uma questão de gênero.
É novamente Angeli que fala sobre seu grande amigo em documentário postado no Youtube:
...peço que olhem com atenção o Laerte. Olhem com carinho e com possibilidade de se alterar também lendo ele. Acho que ele nem acredita que pode alterar a vida de alguém, mas ele altera sim. Ainda mais se estiver com uma echarpe, uma coisa assim...
A postura de Laerte é muito clara. É libertária. Em suas tirinhas diárias, ele coloca o mundo de ponta cabeça através de centenas de personagens. Deus é um deles. E quem conhece a obra de ambos, sabe. Deus é uma criação genial de Laerte, não o contrário.

Clique aqui e assista mini-documentário sobre o cartunista

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