quinta-feira, 3 de março de 2011

Contra o desmatamento, comunismo indígena

Em 23/02, o Boletim Transparência Florestal acusou aumento no desmatamento na floresta amazônica de quase 994% em um ano, desde dezembro de 2009. Os dados são do Instituto do Homem e Meio Ambiente da Amazônia (Imazon). Se for considerada a área degradada, o aumento vai para 4.818% no mesmo período.

Estes números dizem tudo sobre o que representam as declarações governamentais quanto à “sustentabilidade” da exploração da Amazônia. Assustam pelo que ainda pode vir por aí, com a construção de hidrelétricas como Belo Monte, no Rio Xingu, e Jirau e Santo Antonio, no rio Madeira. Esta última já está em construção em Rondônia. Não é mera coincidência que exatamente este estado tenha sido campeão na derrubada florestal indicada pelo Imazon.

Mas a floresta também foi cenário para uma pesquisa divulgada em 2010. É o estudo “Mobilidade Yanomami e os efeitos à paisagem florestal de seu território”. Sob responsabilidade de Maurice Seiji Tomioka Nilsson, foi feito um levantamento dos efeitos da ocupação de uma tribo de índios da floresta amazônica.

Foram analisadas imagens feitas por satélite durante quase 30 anos. Elas correspondem à movimentação indígena em uma área da floresta. Mostram como os Yanomami utilizam um sistema de rodízio no uso das terras para o cultivo e a caça. O método não apenas diminui o impacto da presença humana. Ele também consegue restaurar grande parte do ambiente original.

Claro que isso exige a propriedade comunitária da terra. O fim de sua exploração para benefício de poucos. É o comunismo, enfim. Praticado pelos indígenas há tantos séculos. Incompatível com o capitalismo. Mas, não com os seres humanos.

Leia também: O comunismo sob ameaça, no Brasil

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