terça-feira, 30 de outubro de 2012

Best-sellers do preconceito

Ontem, 29/10, foi o Dia Nacional do Livro. Nesta data, em 1810, a Real Biblioteca Portuguesa foi transferida para o Brasil, dando origem à Biblioteca Nacional. Medida que não impediu que o acesso aos livros continuasse restrito a uns poucos até hoje.

Mas não basta que lutemos pela popularização da leitura. É o que mostra resenha de Rosana Lobo publicada no Globo, em 20/10. O excelente texto fala da nova obra da crítica Regina Dalcastagnè. Trata-se de “Literatura brasileira contemporânea: um território contestado”.

Rosana cita dados que a autora coletou sobre a produção literária nacional. Entre eles, “quase três quartos dos romances publicados (72,7%) foram escritos por homens; 93,9% dos autores são brancos; o local da narrativa é mesmo a metrópole em 82,6% dos casos”.

O resultado desse quadro é desanimador: “O homem branco é, na maioria das ocorrências, representado como artista ou jornalista, e os negros como bandidos ou contraventores; já as mulheres, como donas de casa ou prostitutas”.

A resenhista conclui de maneira perfeita: “Os números da pesquisa reforçam a ideia de que a literatura não é neutra e tampouco está acima de outros meios de representação como a política, o jornalismo ou a televisão. O campo literário também é excludente, também silencia. Ao contrário de Regina”.

Ou seja, não adianta apenas garantir amplo acesso aos livros. Também é preciso que arranquemos sua produção das garras preconceituosas do mercado editorial. Na verdade, é a mesma luta pela democratização da informação e da cultura. Os inimigos são os mesmos monopólios a reproduzir preconceitos e distorções.

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