segunda-feira, 29 de outubro de 2012

Nós, os suicidas desavisados

Ainda sobre a onda de suicídios entre os Guarani-Kaiowa, Fabiane Borges e Verenilde Santos publicaram bela reportagem no site Outras Palavras, em 24/10. O texto traz algumas informações importantes. Entre elas:

Se até cerca de 40 anos atrás, os kaiowa e nhandeva moravam em casas grandes denominadas ogajekutu-ogaguasu, reunindo até cem pessoas de uma mesma família, hoje vivem em casas minúsculas, muitas ainda feitas de barro, sem a proteção da floresta, abrigando apenas a família nuclear. A estrutura da família extensa, cuja chefia baseia-se no prestígio e religiosidade, desorganizou-se, visto que os indígenas não conseguiram substituir seu prestígio cultural pelo poder dos brancos. Com a dizimação de suas terras, sem os ritos do plantio, da colheita, das sagas coletivas de caça e pesca, eles não têm razões para continuar com seus ritos, e conforme perdem as práticas com a terra perdem também sua cultura. Mesmo que ainda subsista, de forma curiosa, a língua guarani, que é o maior foco de insistência e resistência dessa coletividade.

Esta violência cultural seria um dos motivos principais para a epidemia de suicídios entre os guaranis-kaiowá. Trata-se da “perda da terra, da tekoha, o lugar onde ‘realizam seu modo de ser’”, diz o texto.

Mas por que alguém sacrificaria a própria vida por ter perdido seu “modo de ser”? Há muito tempo, nós, os “civilizados”, aprendemos a desprezar tais preocupações. Nos tornamos mais práticos e passamos a valorizar somente “formas de ter”.

Ou seja, é como e já tivéssemos nos suicidado e não nos demos conta.

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