terça-feira, 9 de outubro de 2012

O perigoso sucesso econômico alemão

A Alemanha é uma das grandes potências econômicas mundiais. Fala-se muito em sua competitividade e produtividade. Mas tudo isso tem um preço. E ele é pago pelos explorados. É o que mostra a reportagem “Alemanha enfrenta desigualdades sociais”, de Frédéric Lemaître, publicada no Le Monde em 04/10.

O jornalista diz que “embora a Alemanha esteja bem, o mesmo não vale para todos os alemães”. Segundo o artigo, em setores como os de motoristas de táxi, salões de beleza, limpeza industrial e restaurantes, mais de 75% recebem baixos salários.

Um quarto dos alemães ocupam empregos por prazo determinado. Além disso, 6,8 milhões ganham menos que o salário mínimo. Cerca de seis milhões recebem uma renda mínima do governo. Por outro lado, os 10% mais ricos possuem 53% da riqueza privada do país. Já os 50% mais pobres, dividem 1%.

Ou seja, por trás do sucesso alemão estão números gordos no atacado e muita injustiça social no varejo. Trata-se de uma combinação perigosa num país com forte tradição conservadora.

A situação atual é muito diferente da que levou os nazistas ao poder nos anos 1930. Mesmo assim, as autoridades calculam que há 25 mil partidários da extrema direita na Alemanha. Destes, cerca de 9.500 são neonazistas, fichados por atos de violência. Costumam agir contando com a omissão ou cumplicidade das forças policiais.

Felizmente, a esquerda está reagindo. É o que demonstram as manifestações ocorridas em 29 de setembro. A principal reivindicação é um novo imposto sobre grandes fortunas. Mas é preciso ir além. Construir a resistência popular para enfrentar a onda conservadora que já começa a surgir.

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