quarta-feira, 24 de outubro de 2012

Desde seu berço, o capitalismo olha para a morte

Em 23/10, Bob Fernandes publicou em seu blog a matéria “863 índios se suicidaram desde 86”. O texto fala dos Kaiowá-Guarani. A Justiça Federal decretou a expulsão de 170 deles de suas terras, no Mato Grosso do Sul.

Diante disso, os indígenas lançaram uma carta-testamento. Nela, pedem às autoridades “para não decretar a ordem de despejo/expulsão, mas decretar nossa morte coletiva e enterrar nós todos aqui”.

Os Guarani-Kaiowa não estão sozinhos. Na Europa em crise ou na China em expansão, aumentam os casos de suicídio. A morte voluntária atrai os que estão no centro do capitalismo e os que são por ele marginalizados.

Em 1846, Marx escreveu o livro "Sobre o suicídio", em que afirma:

A sociedade moderna é um deserto habitado por bestas selvagens. Cada indivíduo está isolado dos demais, é um entre milhões, numa espécie de solidão em massa. As pessoas agem entre si como estranhas, numa relação de hostilidade mútua: nessa sociedade de luta e competição impiedosas, de guerra de todos contra todos, somente resta ao indivíduo ser vítima ou carrasco. Eis, portanto, o contexto social que explica o desespero e o suicídio.

Em ensaio sobre a música de Mahler, o filósofo Jorge de Almeida menciona a Viena do final do século 19. Considerada “o berço do mundo moderno”, a cidade reuniria inúmeros artistas, cientistas e escritores que “teriam rompido com a tradição e revolucionado a cultura europeia”. Metade dessas cabeças brilhantes cometeu suicídio entre 1895 e 1914. Pareciam negar a possibilidade de convivência entre sua sensibilidade e a sociedade que nascia.

Ainda em seu berço, o capitalismo olhava para a morte.

Leia o ensaio de Almeida, clicando aqui

Um comentário:

  1. Parabéns, Sérgio, como sempre um ótimo texto. Aproveito o ensejo para, respeitosamente, sugerir o meu blog, se quiser dar uma olhada eu agradeceria muito:

    luisfernandofrancoferreira.blogspot.com.br

    Saudações socialistas do Luis Fernando Franco.

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