quarta-feira, 17 de outubro de 2012

Um perigoso desânimo eleitoral

O sociólogo José de Souza Martins publicou o artigo “Voto-desalento” no Estadão, em 14/10. O texto trata de votos nulos, brancos e das abstenções nas últimas eleições municipais.

O que Martins chamou de “eleitores desalentados” chegaram a quase 2 milhões e meio nas eleições paulistanas, por exemplo. Enquanto isso Serra teve pouco mais de 1.8 milhão de votos e Haddad, 1.7 milhão.

No Rio, esses eleitores chegaram a 1.4 milhão, bem acima de Marcelo Freixo, do PSOL. O segundo mais votado em Belo Horizonte foi Patrus Ananias, do PT. Perdeu para os desalentados cerca de 40 mil votos.

O mesmo aconteceu em Recife, Salvador e Fortaleza. Nestas duas últimas capitais, o primeiro colocado perdeu para os votos inválidos ou inexistentes. Em Porto Alegre, Manuela d'Avila (PcdoB) perdeu para Fortunatti (PDT), mas teve os votos equivalentes à metade dos eleitores desalentados.

Segundo Martins, o fenômeno sugere "uma crise da representação política e mesmo o declínio dos partidos". Para ele faltaria “um sistema partidário que dê efetivamente conta do que a representação política deveria ser".

O fenômeno realmente é grave. Mas baixo índice de participação eleitoral não é necessariamente um mal. A não ser que signifique baixa participação política. E tudo indica que é isso o que está acontecendo.

A população já não consegue enxergar diferenças ideológicas entre a maioria dos partidos. A política também vem sendo criminalizada. O PT tem grande responsabilidade nisso tudo. Primeiro, pelas alianças que faz. Segundo, pela adesão a métodos criminosos.

Nada a comemorar. Desânimo eleitoral despolitizado é tudo o que direita quer. É preciso politizar as lutas e combater as ilusões eleitorais.

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