O dever de um partido revolucionário é prever a inevitabilidade da transformação da política em conflito armado declarado e se preparar com todas as suas forças para esse momento, assim como o fazem as classes dominantes.
A frase acima é de Leon Trotsky e está no livro “Estratégia socialista e arte militar”, de Emilio Albamonte e Matías Maiello. Ela e o título do livro devem ser suficientes para deixar claro qual a grande preocupação dos autores.
Para muitos da esquerda, falar em resistência armada contra as classes dominantes pode soar anacrônico. Mas basta olhar em volta com atenção e sob a ótica dos interesses de classe dos dominados para considerar a questão mais do que atual. Principalmente, em plena guerra da Ucrânia.
Os autores identificam no marxismo contemporâneo um “pacifismo” incompatível com suas aspirações revolucionárias. Por isso, acham necessário restaurar a relação “entre estratégia, marxismo e questão militar”.
Albamonte e Maiello são do Partido Socialista dos Trabalhadores na Argentina e da Fração Trotskista da Quarta Internacional. Portanto, a principal referência da obra é Trotsky. Mas em diálogo com Marx, Engels, Lênin, Rosa, Gramsci, Mao e Che Guevara.
Porém, a figura teórica central do livro é Carl Phillip Clausewitz, general prussiano que se destacou como grande estrategista e estudioso da guerra moderna, tendo sido estudado por Marx, Engels e muitos de seus seguidores. Em sua obra “Da Guerra”, aparece a famosa definição da guerra como “continuação da política por outros meios". Frase que Trotsky adaptou para o âmbito da luta revolucionária. Nesta, diz ele, a revolução torna-se guerra civil e fase violenta da luta de classes.
Continua.
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