terça-feira, 6 de julho de 2010

Drogas: das bocas aos bancos

O tabaco e o álcool são as drogas que mais matam. As drogas ilegais matam mais rápido, é verdade. Mas suas maiores vítimas são os que as comercializam. A maioria dos usuários de drogas ilegais é de classe média. Pode lançar mão de clínicas de reabilitação, ser for necessário. Já os traficantes, sabemos quem são, onde ficam e como morrem.

Em seu livro sobre Cidade de Deus, Paulo Lins diz que os moradores ficaram mais tranqüilos quando as drogas começaram a ser comercializadas no bairro. É que os criminosos pararam de assaltar e roubar seus vizinhos. Passaram a vender drogas para os playboys. Se eles queriam se envenenar, azar o deles.

Só não contavam com a ação da polícia e os efeitos de mercado. Os “homens da lei” passaram a cobrar para fechar os olhos ao comércio ilegal. A ilegalidade fez subir o preço das drogas e detonou uma guerra pelos pontos de venda. O resto, já se sabe. No tiroteio, as maiores vítimas estão entre os 98% de moradores que não usam e não comercializam drogas.

Isso é tudo o que os aparelhos de repressão querem. Um álibi para matar pobres sem chocar a “sociedade respeitável”.

Já os 300 bilhões de dólares anuais movimentados pelo comércio ilegal não ficam nos colchões dos traficantes. Circulam pelo sistema financeiro depois de devidamente lavados. E as transações eletrônicas encurtam e disfarçam o caminho entre as “bocas de fumo” e os bancos. É para isso que serve a ilegalidade das drogas.

Leia recente reportagem sobre o assunto:
Bancos, lavagem de dinheiro e narcotráfico

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