terça-feira, 19 de abril de 2011

Realengo: a ferida e a epidemia

A tragédia de Realengo continua a render altos índices de audiência na grande mídia. Falam em bullying, falta de policiamento, doenças mentais, fanatismo religioso, influências maléficas da internete e dos games e filmes violentos. Mas, o objetivo não é esclarecer e ajudar a buscar saídas.

O objetivo é prender a atenção do público a qualquer custo. As autoridades pegam carona na confusão para fugir de suas responsabilidades no caso. Sabem que tudo isso acaba desviando a atenção de algo muito mais grave.

Somos um dos povos mais violentos do mundo. Mas, os resultados desse massacre diário não são os mesmos para todo mundo. No andar de cima da sociedade, segurança com padrões europeus. Embaixo, mortalidade superior à de guerras como a do Iraque. São cerca de 50 mil mortes violentas anuais. A grande maioria delas atinge jovens que habitam as beiradas sociais.

O assassinato covarde das 12 crianças tem pouco a ver com segurança pública. Wellington era ex-aluno da escola. Ninguém impediria sua entrada no prédio. A questão é como é que ele saiu do sistema de ensino disposto a fazer o que fez.

A tragédia é resultado da falta de segurança social. Do secular desprezo pela educação. Do abandono a que são condenados os doentes, os fracos, os que são considerados feios e sujos.

Realengo abriu uma ferida dolorida no meio da sociedade. Mas, pouco se fala da epidemia mortal que continua a fazer vítimas há décadas. É que o grupo de risco é formado por milhões de pobres e negros.

Leia também: A cor da violência

4 comentários:

  1. e vindo de quem vive esse cotidiano todos os dias´, é ainda mais paupável. Realmente Sérgio, temos que repensar o todo e não o caso isolado. Que pessoas estamos formando? e a força (no caso negativa) da internet.. não vai ser pensada?

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  2. Tem razão, Lyana. Mas, forças negativas vêm de todos os lados e há muito tempo. A internete é só aquela com que temos menos familiaridade e que mais nos assusta.
    Brigado pelo comentário,
    Beijo!

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