quarta-feira, 20 de abril de 2011

Capitalismo é dívida, paga pelos pobres

Em setembro de 2010, esteve no Brasil um ex-economista de Wall Street. Michael Hudson veio para um seminário internacional de grandes empresários. Sobre as mudanças que o capitalismo sofreu ao longo do século 20, ele afirmou:
A natureza do próprio dinheiro sofreu uma transformação. Já não é mais um ativo sob a forma de barras de ouro ou de prata criado pelo trabalho. É dívida.
O dinheiro internacional – as reservas dos bancos centrais – transforma-se, sobretudo, em dívida do Tesouro americano, enquanto o dinheiro dos bancos assume a forma de dívidas privadas: dívidas de hipotecas, dívidas empresariais (...) e até mesmo empréstimos destinados a financiar derivativos especulativos e apostas no mercado de câmbio.
Já Sergio Lamucci, em reportagem publicada no Valor de 19/04/2011, alerta para o tamanho da dívida pública brasileira:
Os gastos com juros do setor público devem atingir cerca de R$ 230 bilhões neste ano, o equivalente a 5,6% do Produto Interno Bruto (PIB), quase 15 vezes os R$ 15,5 bilhões que o governo federal deve destinar ao Bolsa Família em 2011.
Assunto de vários jornais do mesmo dia: a agência de classificação de risco Standard and Poor's rebaixou de "estável" para "negativa" a situação da dívida púbica dos Estados Unidos. Ou seja, teria aumentado o risco de calote por parte da nação mais poderosa do planeta. Não é para menos. O tesouro americano deve 100% de seu poderoso PIB. Ou mais de U$ 14 trilhões.

Mas também não é para tanto. Ninguém vai cobrar a potência americana. Não só porque é poderosa. Principalmente pelo que disse Hudson, acima. Gerenciar dívidas é a mais nova forma que a minoria capitalista encontrou de ganhar fortunas à custa da maioria explorada.

Afinal, o dinheiro que faz girar tais dívidas não sai do nada. Sai dos orçamentos que deveriam custear serviços públicos. Sai da saúde, educação, habitação, transporte, previdência social.

Nos Estados Unidos, esses recursos financiam gastos militares, subsídios para empresas, contratos milionários com corporações, novas especulações em Wall Street. No Brasil, pagam os maiores juros do planeta, financiam grandes empresas, remuneram especuladores do mundo todo.

Esta é a engenharia financeira que faz muito parecidos os governos de Obama e Dilma. Aproximam os democratas, os republicanos, os petistas e os tucanos.

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