quinta-feira, 14 de abril de 2011

Rasgando o véu do preconceito contra muçulmanos

Acaba de entrar em vigor uma lei na França, que proíbe o uso do véu integral para mulheres. Trata-se do “hijab”, usado por muçulmanas.

A lei teria sido aprovada para proteger as mulheres da opressão masculina. Também pretenderia impedir que crimes ou ataques terroristas sejam facilitados pelo uso da roupa. Outra desculpa é a de que a França é um país laico.

Tudo conversa fiada. Não há registros relevantes de crimes ou atentados facilitados pelo uso do hijab. Não se garantem direitos femininos através de uma proibição dirigida às mulheres. O Estado francês pode ser laico, mas fecha os olhos diante da imposição de rituais e símbolos cristãos.

O governo Sarkozy quer agradar a direita francesa. Um setor que odeia os muçulmanos, apesar de se beneficiar da exploração de sua força de trabalho barata. Mas, a lei se aproveita de visões bastante equivocadas sobre as mulheres árabes. É como se fossem bonecas sem vida sufocadas por suas vestimentas.

Não é o que diz Soraya Smaili, dirigente do Instituto da Cultura Árabe (ICArabe). Em entrevista para o Portal da Andes, ela diz:
Não é verdade que todos os árabes sejam muçulmanos e também não é verdade que todas as mulheres sejam obrigadas a usar lenço, nem mesmo as muçulmanas. Existe a idéia de que as muçulmanas são reprimidas e obrigadas a usar o hijab, quando na verdade, em boa parte dos casos trata-se de uma opção pessoal. No Líbano, Síria e Egito, por exemplo, as mulheres não são obrigadas a cobrir os cabelos e muitas muçulmanas cobrem por opção, porque faz parte dos costumes e da cultura. Em vários locais, como no Líbano e Tunísia, uma boa parte das muçulmanas não quer e não são obrigadas a se cobrir. Por terem a opção de usar o lenço, as mulheres árabes se sentem respeitadas, pois é um direito. Ao contrário do que ocorre em alguns países do “Ocidente civilizado”, onde as muçulmanas foram impedidas do seu direito de utilizar o hijab, o que é extremamente autoritário.
Trata-se de mais uma medida que é produto da chamada islamofobia. Neste caso, o racismo contra árabes se esconde sobre um falso véu republicano e feminista.

Leia entrevista com Soraya Samaili, clicando aqui

Leia também: O racismo contra árabes

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