segunda-feira, 22 de agosto de 2011

Consumo chinês ameaça economia brasileira

A China é a maior parceira comercial do Brasil desde 2009. Principalmente, em relação a commodities como ferro, petróleo e soja. Nos 12 meses até junho, o Brasil teve déficit em conta corrente de US$ 49 bilhões, ou 2% do Produto Interno Bruto (PIB). Sem as compras chinesas, este prejuízo chegaria a US$ 89 bilhões, ou 4% do PIB.

Se o consumo chinês cair, ruim pra nós. Se subir, melhor, certo? Não necessariamente. Depende do tipo de consumo. É o que se deduz de entrevista de Cláudia Trevisan com o americano Michael Pettis publicada em O Estado de S. Paulo, em 22/08. O professor da Universidade de Pequim acredita que crescimento anual da economia chinesa pode cair dos atuais 9% para 3%, em 2013.

Se ele estiver certo, a locomotiva da economia mundial estaria a caminho de uma freada forte. Um desastre mundial. Mas se estiver errado, ainda seria ruim para o Brasil. Pettis diz que mesmo que o crescimento não caia tanto:
... o ritmo do investimento vai ter de diminuir de maneira significativa e ser substituído pela expansão no consumo, no processo de reequilíbrio da economia. Se houver a substituição do investimento pelo consumo, isso terá grande impacto sobre o Brasil. Quando os chineses consumirem, eles vão comprar roupas, ir a restaurantes, consumir serviços de saúde e construir menos metrôs e prédios. Eu acredito que a demanda total vai cair muito, mas, mesmo que ela permaneça a mesma, ela vai mudar de bens de investimentos para bens de consumo. Portanto, a demanda por commodities não alimentícias, como minério de ferro e cobre, vai cair de qualquer maneira.
Os trabalhadores têm todo direito de comprar roupas, ir a restaurantes e consumir serviços de saúde. É o que está sendo comemorado, no Brasil, em relação à chamada “classe C”. Também é o mínimo que esperam os trabalhadores de uma potência como a China.

Mas, os efeitos dessas conquistas podem ser terríveis para a economia brasileira. A fábrica do capitalismo não para de produzir desigualdades e contradições.

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3 comentários:

  1. Mas ainda estaria longe do que acontece na Europa, onde a demanda estagnou e a produção não.

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  2. Sim, mas o mundo desenvolveu dependência em relação à desigualdade da economia chinesa. Se a demanda crescer lá dentro, complica fora.
    E o maior problema do capitalismo é exatamente a estagnação da demanda, não da produção. É abundância de mercadorias, não escassez.

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  3. A escassez é boa (para o capitalismo)... Eles até aproveitam pra elevar os preços... Sabe o que é mais difícil nesta história toda? É que a única coisa previsível é que tudo é imprevisível! Não governamos (enquanto classe trabalhadora) a produção, porque não somos donos do nosso trabalho. Os donos do trabalho (capitalistas) também não governam a produção. Só querem aumentar a competitividade, e produzir cada vez mais. Não é a produção que se adequa as nossas necessidades. Somos nós forçados a trabalhar e a consumir de maneira a se adequar as necessidades de alguns lucrarem. Que acontece então se a China muda seu "tipo de consumo"? O governo investe em um monte de obra desnecessária pra tentar compensar (paliativamente) a perda dos exportadores. Começamos também a produzir outras coisas, que os chineses possam gostar. Tentamos entochar nosso aço na bunda de outros países, com o BNDES financiando.

    Triste vida. Só resta resistir. E não desistir...

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