quarta-feira, 31 de agosto de 2011

Estragos do imperialismo jr. brasileiro

Há quem diga que um de nossos maiores problemas é o neocolonialismo. Pode ser, mas não no pólo passivo. Os capitais com sede no Brasil continuam a fazer estragos contra vários povos no mundo. Vejamos o que diz reportagem de Adelson Rafael, publicada no jornal moçambicano O País, em 23/08:
O neocolonialismo brasileiro em Moçambique certamente não contribuirá com o desenvolvimento socialmente justo deste país. Se, por um lado, o Brasil pode oferecer conhecimento técnico para o cultivo de sementes na savana africana, por outro o país tem a oferecer um modelo insustentável de agronegócio, baseado na monocultura, na degradação ambiental e na concentração de terras nas mãos de poucos.
O jornalista refere-se às técnicas de plantio utilizadas no cerrado brasileiro. Sobre o assunto, cita José Pacheco, ministro da Agricultura moçambicano. Elogiando os agricultores brasileiros, ele diz que pretende “repetir em Moçambique o que fizeram no cerrado há 30 anos”.

E o que é que os agricultores brasileiros vêm fazendo há 30 anos? Destruindo o cerrado, através das atividades do agronegócio. Principalmente, com plantio de soja e criação de gado.

Ainda segundo o jornal:
Moçambique é um dos 49 países mais empobrecidos do mundo, com 70% da população abaixo da linha da pobreza, e onde os agricultores têm grande dificuldade em aceder a crédito para a produção de comida.
Enquanto isso, o movimento indígena da Bolívia protestava contra a visita de Lula ao país. O ex-presidente participou de um fórum patrocinado pela OAS, no dia 30/08. A construtora é responsável por uma estrada que cortará um parque nacional no norte da Bolívia. São 306 km, ao custo de US$ 322 milhões, financiados pelo BNDES. A rodovia atravessará um milhão de hectares em um território indígena onde vivem três etnias.

São as façanhas do imperialismo jr. brasileiro.

Leia também: Lula, savana, cerrado e moto-serra

2 comentários:

  1. Muito boa sua reflexão, caro Sérgio. As informações sobre Bolívia até que chegam à nós, mesmo que de forma escassa, mas sobre Moçambique, não. Curioso que cada vez mais repetimos algo que nós brasileiros criticamos no sistema educacional estado-unidense, que é criar uma redoma em torno de si e não se ver em relação com os outros. Aliás, até vemos, mas apenas com os países do BRICS e o velhos imperialismo europeus e o EUA.
    Indico como leitura o livro da historiadora Virgínia Fontes, "Brasil e o Capital Imperialismo", publicado pela editora da UFRJ.

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  2. Obrigado, David. Quanto ao livro da Virgínia, também recomendo. A elaboração dela é fundamental pra entendermos todas essas contradições.
    Abração!

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