sexta-feira, 5 de agosto de 2011

Um maelstrom na economia mundial

As bolsas continuam a despencar no mundo todo, esta manhã. Até 03/08, o mercado mundial de ações havia acumulado perdas US$ 2,6 trilhões desde 27/07. Dizem que os papéis financeiros em circulação pelo planeta equivalem a cerca de 10 vezes a produção mundial.

Parece que o PIB global está em torno de US$ 65 trilhões. Então, seriam uns US$ 580 trilhões de excesso especulativo. Ou seja, as perdas anunciadas representam alguns quilos em toneladas de gordura. Mas, nada indica que a dieta já acabou.

É bem possível que o capitalismo ainda se livre de muito peso extra. O grande problema é que os valores podem até ser fictícios. Mas, os efeitos de seu desaparecimento seriam bem reais e trágicos. Mais desemprego, miséria, conflitos sociais e guerras.

Alguns economistas estão comparando a crise atual a um maelstrom. Trata-se de um imenso redemoinho que engole navios e barcos nos mares da Escandinávia. Ficou famoso com a publicação do conto “Uma descida ao maesltrom”, de Edgar Allan Poe.

O fenômeno também aparece em “20 mil léguas submarinas", de Júlio Verne. Neste último, o submarino Nautilus, do capitão Nemo, é arrastado para o abismo. Leia um trecho:
De todos os pontos do horizonte acorrem vagas monstruosas e formam um redemoinho precisamente chamado ‘Umbigo do Oceano’, cujo poder de atração se estende a uma distância de 15 quilômetros. São então aspirados, não só navios como baleias e ursos brancos das regiões boreais. (...) E que barulho à nossa volta! Que rugidos, repetidos pelo eco a uma distância de várias milhas! Que ruído faziam as águas atiradas contra as rochas pontiagudas do fundo, onde até os corpos mais duros se quebram, onde os troncos das árvores se destroem ....
Nemo e seu submarino tiveram um fim cruel. O narrador teve sorte melhor. Acabou se salvando milagrosamente. Apesar de tudo, orgulha-se de ter sondado “as profundezas do abismo”. Não merecemos nenhum desses dois destinos.

Leia também: A crise e os Flintstones

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