segunda-feira, 15 de agosto de 2011

A mídia merece uns molotovs

“A globalização do protesto”. Este é o título de matéria de Carolina Rossetti publicada em O Estado de S. Paulo, em 14/08. Trata-se de entrevista feita com Saskia Sassen, socióloga americana. A introdução da jornalista dá um panorama coerente:
No mesmo dia em que a face pobre da Grã-Bretanha saiu dos guetos para dar a cara a tapa, 200 mil manifestantes cobriram as ruas de Tel-Aviv a fim de exigir aluguéis mais baixos e escolas gratuitas para seus filhos. "Isto é o Egito", cantaram os israelenses, ecoando a já emblemática Praça Tahrir, no Cairo. Na terça-feira, e pela segunda vez na semana, cerca de 100 mil estudantes chilenos foram bater panela nas calles de Santiago, dessa vez ao lado dos pais, para exigir reformas na educação.
Carolina também cita os manifestantes mortos nas ruas árabes e os 12 milhões de pessoas que sofrem de fome crônica no Chifre da África (Somália, Djibouti, Quênia, Uganda e Etiópia). E Saskia dá sua explicação para essa onda de protestos:
Ao longo de 30 anos houve perda de renda de metade da população mundial e tamanha concentração de riqueza no topo que simplesmente chegamos ao limite. É a explosão disso que estamos vendo em nossas cidades.
Mas, matérias como esta são exceções na mídia comercial. Principalmente, em relação aos protestos em Londres. Para a grande imprensa, a revolta num dos centros do imperialismo é imperdoável. Coisa de baderneiros, bandidos, “rebeldes sem causa”.

Felizmente, em alguns momentos, eles quebram a cara. Foi o caso da entrevista com o sociólogo Silvio Caccia Bava na Globo News, em 11/08. Silvio desmontou as tentativas dos jornalistas de criminalizar os manifestantes londrinos.

Momentos como este são raros numa imprensa a serviço dos interesses da minoria. É por isso que ações de ruas são cada vez mais necessárias. É preciso furar os bloqueios. Às vezes, com molotovs.

Leia também:
Para a mídia, só vale política suja e autorizada
Partido Socialista dos Trabalhadores (SWP): sobre as revoltas em Londres

4 comentários:

  1. Camaradas!

    O que vem acontecendo atualmente em sua maioria são ações de direita na rua. E contra a esquerda, indignação a incapacidade do estado resolver as questões que são prometidas.
    Devemos ter cuidados com o que pedimos e falamos! Que a mídia burguesa do capitalismo financeiro está escondendo a realidade sempre convergimos.
    Mas defender quanto pior melhor é irresponsabilidade em tempo de despolitização que a massa faminta mata todos que falarem as palavras: política, governo, estado etc.
    Não devemos defender a burguesia, jamais, mas também não podemos defender o uso da força e molotovs.
    .Precisamos distinguir revolução de anarquia, no sentido de bagunça, quebra-quebra por quebra-quebra; essa ação-direta é primitiva em que os trabalhadores quebram as máquinas.
    Tudo que existe na sociedade, toda infra-estrutura foram construídas pelos trabalhadores e necessita de trabalho para reconstruir.
    Como vamos distribuir a riqueza, não é destruindo o patrimônio a idéia de que toda riqueza foi construída por toda a sociedade e a partir da exploração da maioria proletariada.

    Revolução sim! Mas que sejamos realistas sobre o que está acontecendo no mundo¿ o que está indignando a juventude, as mulheres e os homens adultos em geral¿

    Será que querem alguma mudança do sistema ou apenas querem usufruir da melhor forma possível¿
    Quais perguntas estão sendo feitas com toda a violência contra o sistema financeiro¿

    Está falida a sociedade moderna e o capitalismo financeiro¿

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  2. "Conceitos e Provocações", discordo.

    Não considero sob qualquer viés as manifestações no Egito, no Chile e em Londres como ações de "direita". É necessário, evidente, analisar as particularidades de cada luta, mas sem perder de vista que todas estas ações são manifestações, sintomas de uma crise estrutural do sistema. Foi isso que a sociólogo entrevistada chamou atenção e é este o discurso que a mídia tenta velar, esconder.

    Penso que há por trás de algumas passagens do seu comentário é certa ideia de que grandes transformações devem ocorrer sem conflitos e mesmo violência. É preciso, primeiro, colocar que a violencia e a barbárie está instalada no cotidiano pela realidade capitalista: observe as ações da polícia e do estado nas periferias das grandes cidades, a violência nos presídios, a miséria se alastrando mesmo nas cidades de países "de primeiro mundo". Em segundo lugar, não podemos fazer uma análise moral e individualista acerca das ações da juventude londrina (tal qual a mídia), sem qualquer esforço de fazer mediações entre os eventos de rua e a crise econômica, o aumento da desigualdade social entre países e da pobreza em todo o mundo, os efeitos da Indústria Cultural e do consumismo sobre os jovens, particularmente nesta conjuntura de crise, e, o mais importante, tentar pensar como articular a revolta e a rebeldia em torno de ideias políticas que façam avançar e generalizar o entendimento de que precisamos de uma sociedade radicalmente diferente, socialista e libertária.

    Concordo com serginho. Molotov neles!

    paulo marçaioli

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  3. em tempo
    http://www.youtube.com/watch?v=HI1YSPHVeIA&feature=player_embedded

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  4. http://conceitosprovocacoes.blogspot.com/2011/08/cuidado-com-critica-pela-critica-do.html

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