quinta-feira, 10 de novembro de 2011

Poesia para Dilma, Aldo e o agronegócio

Roberto Antonio Liebgott é membro do Conselho Indigenista Missionário (CIMI). Em artigo publicado em setembro de 2011 no jornal Porantim, ele diz:
...a política da presidente se assemelha também a um trator sem freio, que segue em frente, a qualquer custo, revolvendo a terra, removendo empecilhos, aniquilando o meio ambiente. Não por acaso o termo “tratorar” se aplica a quem costuma seguir arrastando o que encontra pela frente, sem tempo ou disposição para a escuta, a discussão e o profícuo debate democrático.
A avaliação cabe perfeitamente em relação ao novo Código Florestal vem sendo construído no Congresso Nacional. Proposta de Aldo Rebelo, bem ao gosto do agronegócio. Um projeto que vem sofrendo resistência tímida por parte do governo petista.

Diante disso, Dilma, Aldo e Kátia Abreu até merecem que se lhes dedique trecho de um poema de Antonio Francisco da Costa e Silva. Trata-se de “A derrubada”, obra simbolista do poeta piauiense que viveu entre 1896 e 1950.
Reboa o machado,
No seio umbroso da floresta,
Num assíduo fragor monótono, vibrado
Pela força brutal do homem rústico e bronco;
E, pancada a pancada, a lâmina funesta
Golpeia o rijo tronco
De uma árvore copada.
É a derrubada

(...)

Abandonam-lhe os ramos seculares,
Festonados de frutos e de flores,
− Verde arcádia dos pássaros cantores, −
As aves e os insetos
Que, assustados e inquietos,
Em debandada, fogem pelos ares.
A diferença é que o machado já foi trocado por motosserras, correntes e tratores.

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