quinta-feira, 3 de novembro de 2011

A rede mundial dos tempos de Marx

Há quem diga que Marx era autoritário e defendia soluções violentas para as contradições sociais. Não é o que parece quando se lê uma entrevista concedida por ele a Raymond Landor. Ela foi publicada no jornal “The World”, em 18 de julho de 1871. Na época, ainda existia a Associação Internacional dos Trabalhadores, da qual o revolucionário alemão era o principal líder. Perguntado sobre os objetivos da organização, Marx diz que são:

A emancipação econômica da classe trabalhadora pela conquista do poder político. O uso desse poder político para fins sociais. Assim, é necessário que nossas metas sejam abrangentes para que incluam todas as formas de atividades exercidas pela classe trabalhadora. Restringi-las seria adaptá-las às necessidades de apenas um grupo - apenas uma nação de trabalhadores. Mas como pedir que todos os homens se unam para atingir os objetivos de uns poucos? Se assim o fizesse, a Associação perderia seu título de Internacional. A Associação não determina a forma dos movimentos políticos; só exige uma garantia no que diz respeito aos objetivos desses movimentos. Ela é uma rede de sociedades afiliadas, espalhadas por todo o mundo trabalhista. Em cada parte do mundo, surge um aspecto particular do problema, e os trabalhadores locais tratam desse aspecto à maneira deles. As associações de trabalhadores não podem ser idênticas em Newcastle e em Barcelona, em Londres e em Berlim.
Na Inglaterra, por exemplo, a maneira de demonstrar poder político é óbvia para a classe trabalhadora. A rebelião seria uma loucura enquanto a agitação pacífica seria uma solução rápida e certa para o problema. Na França, uma centena de leis de repressão e um antagonismo moral entre as classes parecem precisar de uma solução violenta para a luta social. A escolha dessa solução é um assunto das classes trabalhadoras daquele país. A Internacional não pretende aconselhar ou tomar decisões a respeito do assunto. Mas, para cada movimento, ela concede auxílio e solidariedade dentro dos limites designados por suas próprias leis.
Esta era a Internacional de Marx. Horizontal, democrática, internacionalista, nem pacifista nem violenta. E contemporânea, também. Ele fala até em funcionamento em rede!

Vale a pena ler a íntegra da entrevista

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