quarta-feira, 16 de novembro de 2011

EUA: menos pobreza, desigualdade enorme

Em 11/11, o jornal Valor publicou bom artigo de Alex Ribeiro. “Outras contas, outra ideia de pobreza” traz dados surpreendentes sobre o que significaria ser pobre nos Estados Unidos. Vejamos alguns:
- 96% dos chefes de famílias pobres afirmaram que suas crianças não passaram fome em nenhum momento de 2009.
- os 20% da população que estão na base da pirâmide de renda nos Estados Unidos vivem em casas com, em média, 5,7 cômodos e 155 metros quadrados.
- entre os 20% mais pobres, 76% têm pelo menos um carro.
- uma família na linha oficial de pobreza ganha o equivalente a mais de R$ 3 mil mensais.
Então, pobre americano chora de barriga cheia? Alan Berube, professor do Brookings Institution, não concorda: “no país mais rico do mundo não é demais esperar que as famílias não estejam preocupadas em conseguir sua próxima refeição." Correto. Os Estados Unidos têm um PIB sete vezes maior que o brasileiro, por exemplo. Seus males sociais não podem ser iguais aos nossos.

Por outro lado, Berube alerta:
...a pobreza afeta 15% da população, mas a desigualdade significa que dois terços da sociedade estão vendo sua fatia no bolo diminuir, seu padrão de vida diminuir, enquanto os que estão no topo só melhoram.
É o que confirmam dados de declarações de imposto de renda dos 1% mais ricos em 95 anos:
O resultado é uma enorme curva em formato de "U". Até a recessão de 1929, 1% da população ficava com cerca de 18% da renda gerada nos Estados Unidos. A fatia dos super-ricos na renda nacional caiu para 8% no pós-Guerra e por aí ficou até fins da década de 1970. A partir de então, entrou em trajetória de alta, até chegar ao pico de 18% pouco antes do início da Grande Recessão.
Não à toa, a concentração de renda disparou em momentos que antecederam duas das piores crises do capitalismo. A de 1929 e a atual. Ambas, depois de períodos de grande liberdade para os mercados. Mais capitalismo, mais desgraça.

Marx achava que a construção do socialismo teria maiores chances se começasse em sociedades capitalistas mais desenvolvidas. Talvez, porque nelas fossem maiores as frustrações com as promessas burguesas de sucesso pessoal. O artigo do Valor indica algo nesse sentido. E também vale para a Europa rica.

O movimento 99%, que ocupou Wall Street, ensaia uma primeira resposta popular. Os indignados europeus também. A direita não vai ficar quieta. Tempos sombrios à vista. Mas as contradições nos centros do capitalismo mundial nos permitem tentar arrancar muita luz disso tudo.

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