segunda-feira, 28 de novembro de 2011

Soviéticos ontem, chineses hoje e a crise capitalista

O documentário “Notícias de Antiguidades Ideológicas”, de Alexander Kluge, traz 9 horas de entrevistas e ensaios cinematográficos sobre um projeto muito ambicioso. A intenção de Sergei Eisenstein de filmar “O Capital” de Karl Marx.

É cansativo, mas tem momentos interessantes. Em um deles ficamos sabendo que em plena crise de 1929 a União Soviética decidiu “comprar ativos” do mundo capitalista. A idéia, meio bizarra, era usar os tesouros do czar deposto para tornar os capitalistas falidos devedores do poder soviético. Não teria dado certo porque faltavam especialistas em negócios entre os soviéticos.

Difícil não lembrar da China dos dias atuais. Em plena crise mundial, muitos esperam que o gigante asiático salve, ou compre, o capitalismo com sua enorme produção industrial. Mas há muitas diferenças.

A crise de 1929 não atingiu a economia soviética porque restava muito pouco de capitalismo nela. A indústria e a classe operária russas foram destruídas pelo cerco de 14 potências estrangeiras a sua revolução.

Já a China do século 21 é o maior parque industrial do mundo. Por isso mesmo, também se encontra ameaçada pela crise que vai tomando a economia mundial. Vejam o que diz reportagem de Cláudia Trevisan para O Estado de S. Paulo de 23/10:
A orgia de crédito fácil que sustentou o crescimento chinês nos últimos três anos começa a provocar uma ressaca de dimensões ainda desconhecidas. Os primeiros sinais dessa ressaca se manifestam na paralisação de obras, falência de empresas privadas, queda na venda de imóveis e previsão de aumento dos créditos podres nos balanços dos grandes bancos estatais.
E em 26/11, Marcelo Justo apresentou mais dados sobre a economia chinesa no jornal argentino Página/12. Título da matéria: “A economia chinesa está dando sinais de esfriamento”. Alguns detalhes:
A crise mundial está chegando à China. As exportações caíram pelo quarto mês consecutivo, a produção industrial está em seu pior momento em 34 meses e uma onda de conflitos trabalhistas está sacudindo um país que não tem o direito de greve contemplado na Constituição. Nos últimos 10 dias mais de 10 mil trabalhadores na província de Cantão, sul do país, coração das zonas francas do “milagre chinês”, pararam suas atividades.
Como a União Soviética, a China acabou se tornando um capitalismo de Estado. Mas está mais vulnerável aos efeitos da crise do capitalismo de mercado.

Leia também: Se a bóia chinesa furar, glub, glub...

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