segunda-feira, 26 de novembro de 2012

É preciso deter o inverno árabe no Egito

É inverno no Egito. Mas as temperaturas médias dificilmente ficam abaixo dos 20º. Frio, mesmo, só no nível político. Os responsáveis são o presidente Mohamed Mursi e sua organização, a Irmandade Muçulmana. Eles acabam de adotar medidas que dão poderes ditatoriais ao chefe do governo.

Mursi alega que pretende “proteger a revolução”. Realmente, as medidas atingem juízes favoráveis a Mubarak. Verdadeiros carrascos de toga. Mursi também diz que soltará os milhares de revolucionários detidos e investigará a morte de dezenas deles.

Mas o governo Mursi está cheio de integrantes da época de Mubarak. É o caso do procurador-geral e do ministro do interior. O parlamento é governado com mão de ferro pela Irmandade Islâmica. Os membros da Assembleia Constituinte foram eleitos com regras que garantiram maioria esmagadora para o governo.

Nas ruas, o governo vem reprimindo as manifestações por mais liberdade e pela derrubada definitiva do antigo regime. Os partidários de Mursi defendem leis religiosas para governar o País. Enquanto isso, tentam se consolidar seu poder buscando a confiança dos capitalistas egípcios.  

A Revolução Egípcia chega a uma perigosa encruzilhada. Como aconteceu no Irã em 1979, forças conservadoras apoiadas no fanatismo religioso querem sequestrar e matar a revolução. Por outro lado, setores de direita que ficaram sem lugar no novo governo tentam voltar ao poder.

Aos revolucionários resta a dura tarefa de defender as conquistas da Primavera Árabe. Conquistar o apoio da maioria dos explorados para fazer avançar a revolução. Derrotar Mursi e os saudosistas de Mubarak. Afastar o abraço gelado dos capitalistas locais e seus aliados imperialistas.

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