sexta-feira, 30 de novembro de 2012

Terra para índios? Sete palmos bastam

“Muita terra para pouco fazendeiro” diz o título de artigo de Márcio Santilli, coordenador do Instituto Socioambiental (ISA), publicado na Folha em 29/11. O texto fala sobre pesquisa encomendada pela Confederação da Agricultura e Pecuária do Brasil (CNA). A entidade dos latifundiários quer usar o estudo para desqualificar a luta dos indígenas por seus direitos.

Em primeiro lugar, pretende dizer que a utilização de bens de consumo pelas comunidades tribais desmentiria sua condição indígena. Santilli responde, dizendo que “os demais brasileiros, a começar pelos patrocinadores da pesquisa, têm interesse por bens importados e nem por isso deixam de ser brasileiros”.

Mas o objetivo principal da CNA é mostrar que os indígenas têm terras demais. Segundo o levantamento da entidade, 520 mil indígenas aldeados vivem em 113 milhões de hectares. O problema, diz Santilli, é que “98,5% dessa área estão na Amazônia, onde vivem 60% dos indígenas do país. Os outros 40% dispõem de apenas 1,5% de todas as terras, em geral em áreas exíguas”. Ao mesmo tempo, diz o artigo, o IBGE mostra que:

...os 67 mil maiores proprietários possuem 195 milhões de hectares, 72% a mais que os índios. Além disso, as terras indígenas preservam 98% da sua vegetação nativa e prestam serviços ambientais a toda sociedade.

Os maiores prejudicados, afirma Santilli, são os 45 mil Guarani-Kaiowá. Eles teriam direito a 95 mil hectares, mas suas terras continuam ocupadas por fazendeiros. Os Guarani-Kaiowá estiveram nas manchetes recentemente. Muitos deles cometeram suicídios diante dessa situação toda. E esta é a vontade de muitos fazendeiros: terra para indígenas, só a que cair sobre seus corpos sem vida.

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