sexta-feira, 22 de novembro de 2013

A grande imprensa celebra a chibata

Em 20/11, O delegado de polícia Orlando Zaccone publicou no facebook duas imagens. A primeira é uma foto da grande imprensa mostrando policiais reprimindo com cassetetes supostos ladrões em uma praia do Rio de Janeiro. A outra, uma gravura de Jean-Baptiste Debret, em que um escravo é castigado com chibatadas.


Em ambas, tanto quem bate como quem apanha tem a pele escura. Daí o comentário de Zaccone sobre o Dia da Consciência Negra: “Museu de grandes novidades!” O fato de que negros ainda reprimam negros mostra que algumas coisas mudaram para tudo ficar do mesmo jeito.

Mas a referência a Debret chama a atenção para outra questão. O pintor integrava a Missão Artística Francesa que chegou ao Rio de Janeiro em 1816. Ele e outros artistas estrangeiros eram os únicos a retratar situações cotidianas. Seus colegas brasileiros só pintavam belas cenas e cenários.

Um exemplo famoso é o quadro “A Primeira Missa no Brasil”, de Victor Meirelles. Nele, os índios assistem à cerimônia encantados. Como se a religião do europeu finalmente lhes revelasse a verdade sagrada. Nenhuma referência à conversão forçada de que foram vítimas.

Enquanto isso, Debret e seus colegas mostravam indígenas e negros submetidos a trabalhos pesados e cansativos. Vitimados por castigos e maus tratos. O que os pintores brasileiros escondiam com suas belas paisagens e cenas da corte, os estrangeiros mostravam.

Os atuais jornais também gostam de mostrar o cotidiano. Mas quando se trata de retratar a gente pobre e preta, o objetivo é quase sempre justificar a violência com que deve ser tratada. Como nos tempos de Debret, ainda celebram a chibata.

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