quarta-feira, 6 de novembro de 2013

Desmontar a produção de vontades domesticadas

Encerrando os comentários ao livro de Lauro de Oliveira Lima, “Pedagogia: reprodução ou transformação”, mais alguns de seus trechos.

Aprender (aptendere) é “pegar no ar” algo que foi jogado, como se faz quando alimentam-se os cães: joga-se o naco de carne para ser abocanhado, num pulo pelo animal. O professor joga, também, o “ensino” no ar, e o aluno que “apreenda” (aprenda) se quiser e como puder...

Citando Rousseau: “A mania pedantesca do mestre é sempre ensinar às crianças aquilo que elas aprenderiam melhor por si mesmas”. E Jean Piaget: “Tudo o que se ensina à criança impede que ela descubra ou invente”. E o autor propõe:

...o ápice do êxito do professor é TORNAR-SE DESNECESSÁRIO, suicídio profissional que só pode ser praticado pelos educadores que, em vez de fazerem da classe um palco para seu HAPPENING, fazem dela uma plataforma donde os jovens autônomos alçam voo para outras galáxias!

Lima também sugere que os professores deixem de se comportar como “capatazes encarregados de fazer os operários trabalharem para o patrão”.

Mas como alcançar algo assim atuando no interior de um sistema criado para fazer o exatamente o oposto? Talvez, aproveitando suas brechas. E as mais importantes delas surgem nos momentos de greve e outras lutas. Mas é preciso ir muito além da pauta salarial.

Operários em greve tentam superar a mera negociação econômica quando procuram controlar a produção. Nas escolas, não basta paralisar a fabricação de vontades domesticadas. É preciso desmontá-la e convidar educadores, alunos e responsáveis a descobrir como criar jogos pedagógicos no lugar de técnicas de adestramento.

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