segunda-feira, 11 de novembro de 2013

O PT acumula poder, não democracia

O PT acaba de realizar seu Processo de Eleições Diretas (PED). Foram eleitos cerca de 100 mil dirigentes em todo País, de diretórios de bairro à direção nacional. Podiam votar cerca de 800 mil filiados.

Nenhum outro partido adota processo semelhante. Muito provavelmente, nem aqui nem no resto do mundo. Por isso, o PT considera o PED uma enorme demonstração de democracia. Não é. E são dirigentes do próprio partido que dizem isso.

Renato Simões é deputado federal e foi um dos candidatos a presidente da legenda. Suas palavras: “Espero que seja o último PED (...) do PT. O partido trouxe para sua estrutura interna as mazelas do sistema político que queremos reformar”.

Simões foi derrotado na disputa. Seu depoimento poderia ser fruto do despeito. Mas não é o caso de Romênio Pereira. Ele é dirigente nacional do partido e apoiou Rui Falcão, que venceu a eleição à presidência do PT. Pereira também defende o fim do PED.

O PED foi adotado em 2001. Na época, muitos militantes alegaram que o processo beneficiaria o poder econômico e a perpetuação de antigos dirigentes no poder. Não deu outra. O debate morreu e impera o continuísmo no controle da máquina partidária.

O processo anterior, através de congressos, também apresentava problemas. Mas eleições diretas envolvendo centenas de milhares de participantes tendem a reproduzir a maior das distorções das democracias de massa: a participação passiva do voto solitário.

O PT representou uma revolução partidária no País. Mas desde que se deixou sequestrar pelo calendário eleitoral, acumula poder, não democracia. Por isso, fica cada vez mais à vontade com aliados antidemocráticos.

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