segunda-feira, 4 de novembro de 2013

A pedagogia que violenta carcereiro e encarcerado

Continuamos a discutir o livro de Lauro de Oliveira Lima, “Pedagogia: reprodução ou transformação”. Publicado em 1982, algumas de suas afirmações podem parecer descabidas atualmente. O autor diz, por exemplo, que “a maioria dos professores comporta-se como carcereiros ou guardas que vigiam o trabalho forçado dos presídios”.

Ocorre que carcereiros podem tornar-se tão prisioneiros quanto aqueles a quem devem guardar. E é isso o que vem acontecendo com o sistema escolar. Não só na rede pública. Nas escolas particulares, as condições de aprendizagem são muito melhores, claro. No entanto, seus métodos exigem obediência cega à lógica da competição mais extrema.

Assim, o que continua comum a todo o sistema escolar é seu caráter disciplinador. Com razão, Lima afirma que grande parte do tempo dos educadores “é dedicada à disciplina, como ocorre no exército”. Professores exigem, acima de tudo, respeito, diz ele. E respeito, em latim, significa “olhar para trás, demonstrando medo”.

As escolas já não são tão autoritárias como no tempo da ditadura, claro. Mas seus altos muros continuam vedando o acesso às falsas promessas de prazer e liberdade que o mercado faz.

Para muitas famílias pobres, a escola é, principalmente, um lugar para deixar as crianças enquanto trabalham. Esta é a principal queixa dos pais quando greves paralisam a rede pública. Já os ricos, consideram o estudo de seus filhos como investimento para o futuro, tal como ações na Bolsa.

Tudo muito distante das origens do sistema escolar. Formado, segundo Lima, pela “scholé” (lazer) e pelo “ludus” (jogo). Processo de desenvolvimento de atividades livres e situações problemáticas que "levam o pensamento para todas as direções".

Leia também: Micro dicionário da pedagogia de quartel

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