segunda-feira, 4 de novembro de 2013

Micro dicionário da pedagogia de quartel

O livro “Pedagogia: reprodução ou transformação”, de Lauro de Oliveira Lima (1982), é um clássico da teoria da educação. Discípulo de Piaget, Lima era extremamente crítico à atual instituição escolar. Para dar uma ideia, segue abaixo a origem etimológica de alguns termos pedagógicos destacados pelo autor.

A palavra educação vem de “dux” e “ducis”, em latim “condutor”, “general”. “Educere” significa também puxar a espada. “Mestre” está ligado a “dominus”, o dono da casa. “Professor” vem do latim “profieri”, que quer dizer “ir na frente, gritando”, como fazem os “vaqueiros que conduzem a manada”.

Lente é “lector”. Na Idade Média, era aquele que lia pergaminhos e papiros para seus alunos. Com o tempo, o lente terminava por recitar o texto de cor. Provável origem do decoreba de nossos dias. A expressão latina “in signum” gerou “ensinar” e significa “dar ou colocar um sinal”, como fazem os pecuaristas com seu gado. No caso das escolas, o “ferro em brasa” deu lugar a “medalhas, notas e diplomas”.

Tudo isso pode parecer exagero. Mas serve como provocação para discutir nosso atual modelo pedagógico, resultado de uma longa evolução autoritária. Escolas são como quartéis que pretendem formar pessoas prontas a mandar nos de baixo e a obedecer os de cima. Servem à perfeição para uma sociedade autoritária, voltada para a exploração do trabalho humano.

Felizmente, os motins dentro dessas “casernas” escolares são cada vez mais comuns. Para os pedagogos conservadores, representam a “desmoralização da autoridade do professor”. Para a educação libertária, são gritos desesperados pela liberdade que deveria estar na base de todo processo pedagógico.

Leia também: Da pedagogia dos escravos à pedagogia da exploração

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