terça-feira, 19 de novembro de 2013

O “quinto estado” negro

Um dos quadros mais famosos da luta dos trabalhadores é o “Quarto Estado”, do italiano Giuseppe Pellizza da Volpedo. Pintada em 1898, a obra mostra operários protestando durante uma greve.

O nome da pintura faz referência aos três estados da Revolução Francesa. Nesta época, a sociedade francesa era dividida em três estados: o clero, a nobreza e o povo. Este último era formado tanto por patrões como por trabalhadores. Foi sua união no combate aos outros dois estados que tornou possível a Revolução Francesa.

Mas com o desenvolvimento do capitalismo, aumentaram as contradições entre os membros do terceiro estado. Além de serem explorados por seus patrões, os operários também serviam de bucha de canhão nos conflitos entre eles e a nobreza. Por isso, passaram a lutar por seus próprios direitos, contra uns e outros. Surgia o “quarto estado”. Ou seja, o proletariado.


A obra de Pelizza recebeu várias versões e adaptações. Mas há uma que chama a atenção. Trata-se de uma foto de Settimio Benedusi. A imagem imita o “Quarto Estado”, mas mostra cortadores de cana negros no lugar dos operários europeus.

A foto nos lembra que a população negra forma um enorme contingente do proletariado mundial. Uma parcela que sofre a dominação capitalista em dobro. Pela exploração econômica e pela opressão racista. Algo que setores da própria classe trabalhadora costumam desprezar.

O fato é que a burguesia conseguiu transformar os trabalhadores negros em uma espécie de “quinto estado”. Na verdade, eles são parte importante e poderosa do proletariado mundial. Sem a força de suas lutas, o "quarto estado" jamais chegará ao socialismo e à liberdade.

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