quinta-feira, 21 de novembro de 2013

É preciso mais participação política, não menos

“‘Privatização de tudo’ gerou protestos, que vão continuar”, disse David Harvey à Folha em 21/11. O geógrafo marxista identifica uma “desilusão generalizada com o processo político”. E prevê “mais explosões de raiva nos próximos anos – no Egito, na Suécia, no Brasil etc”.

No mesmo jornal, em 19/11, Clovis Rossi comenta a vitória no primeiro turno da candidata à presidência do Chile, Michelle Bachelet: “Computando-se a abstenção, que foi superior à metade do eleitorado, tem-se que os 47% de Bachelet reduzem-se a menos de um quarto dos votos possíveis”.

Em 14/11, no Valor, artigo do tucano Alberto Carlos Almeida aponta o consumo como fator determinante nas eleições presidenciais desde 1994. Cita “controle da inflação, desemprego, Bolsa Família, aumento real do salário mínimo” como trunfos dos vencedores. Mas, segundo ele, “a população quer mais. É o nome desse mais querer que por enquanto não sabemos”.

Por fim, citemos o 9º Encontro Nacional de Fé e Política. Entre os participantes, Frei Betto, petista e amigo pessoal de Lula. Ele recebeu muitos aplausos, ao dizer que nos últimos dez anos, o governo do PT promoveu muita inclusão social e “nenhuma inclusão política”.

O significado das jornadas de junho continua um mistério. Mas é possível que o “quero mais” a que se refere Almeida seja a “inclusão política” destacada por Betto. Algo capaz de dar rumo às explosões raivosas e diminuir a apatia eleitoral.

Trata-se de aspiração que o atual sistema político, dominado pelo poder econômico, é incapaz de atender. Tudo indica que precisamos de mais participação política, não de menos. Principalmente, nas ruas, bairros, escolas, universidades, locais de trabalho.

Um comentário:

  1. Genial o Frei Betto: "inclusão social e nenhuma inclusão política". "Ovo de colombo" a respeito do assistencialismo socio-liberal lulista!

    ResponderExcluir