sexta-feira, 16 de junho de 2017

Como faz falta uma boa guilhotina

É comum afirmamos que as grandes mudanças políticas na sociedade brasileira acontecem por meio de uma conciliação que deixa intactos os interesses das classes dominantes.

Proclamação da Independência, República, abolição da escravidão, golpe de 1930, término da ditadura Vargas, começo e fim da ditadura de 1964. Em todos esses exemplos, as classes dominantes locais sempre resolveram seus conflitos, não apenas sem o envolvimento do povo, como às custas dele. Afinal, se a conciliação impera entre os de cima, o pau come no lombo dos de baixo, ao menor sinal de resistência popular e mesmo na ausência dela.

A atual crise política por que passa o País parece ser consequência de uma tímida tentativa de intrometer nessa dinâmica o atendimento a algumas poucas necessidades populares. Aproveitando o desgaste do modelo neoliberal, o lulismo colocou sua cunha. O problema é que o fez pelo alto e por lá continuou, feliz prisioneiro dessa máquina de moer interesses populares que são os Estados nas sociedades de classes.

Mas toda essa conversa é apenas para reproduzir um trecho do artigo de Vladimir Safatle, publicado na Folha, em 16/06:

...países que um dia levaram seus dirigentes à guilhotina e à forca (como a França e a Inglaterra) conseguiram civilizar minimamente sua classe dirigente. Eles a civilizaram através de certo medo pelo povo que se inscreve no imaginário do poder. Com guilhotina ou não (pois isso pode ser visto apenas como metáfora), uma coisa é certa; no Brasil, falta ao poder temer o povo.

Perfeito. Mas resta saber até quando as metáforas continuarão a salvar o pescoço de nossas classes dominantes.

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